terça-feira, outubro 28, 2003

a cidade é uma delícia

Lembro agora da agitação que tomou conta no sábado. Como o ceris descreveu, a noite começou com a queima de algumas divisórias de escritório em um simbolo da luta contra a ditatura do trabalho e a falta de humanidade na sociedade pós-industrial. Ou isso ou alguma outra maconhice. Fato é que as divisórias estavam em chamas e as chamas ardiam e ardiam em vermelho e amarelo e verde também. Grande paz emanava daqueles pedaços de compensados de madeira queimando. E generosa dose de sinceridade foi se anuviando em volta de nós. Toda aquela sinceridade e união gerou alguma ansiedade em quem não era panela de nenhuma tampa, o que culminou em uma longa excursão aos bares curitibanos. O ambiente sempre hospitaleiro de uma mesa de bar trouxe ainda mais alegria a nossos coraçõesinhos. Tive o prazer de conhecer melhor a Gil que gentilmente se dispos a beber conosco e que se revelou uma pessoa muito muito legal que também só acredita em um deus que sabe dançar.
Uma verborragia me atacou fulminante e acho que não parei de falar a noite toda. Imagino que também ouvi bastante, ja que meus acompanhantes receberam o mesmo ataque. O trocar de idéias corria das necessidades que a vida urbana nos impõe até dilemas morais e elogios pessoais. Escutando agora o buena vista cantando guantanamera me lembro que uma sinceridade pura alagou meu coração e confidências brotavam como se fossem comentários esportivos. Nem tenho certeza se realmente foi assim ou é exagero meu, mas muitas idéias inacabadas e mal acabadas foram expelidas de minha cabeça. Nada mais importava além dos amigos que dividiam aquelas beras comigo. Só tinha vontade de celebrar o fato de sermos humanos. Constatações constrangedoras do tipo "Porra, como é do caralho estar vivo" e declarações ainda mais contransgedoras de amor a humanidade eram freqüêntes em nossa mesa. E o mais interessante é que essas constatações ficaram de tal forma impregnadas em minha cabeça que no domingo ainda grande alegria se apossava de minha pessoa e de ressaca ensaiei alguns passos de dança dando saltitos ao som de alguma coisa que não me lembro. Não há como negar as conclusões encontradas. O contato empírico com a vida traz informações que não podem ser escondidas. O mundo é bom, a vida na terra é linda e quem se nega a aproveitá-la em busca de um reino encantado da escravidão é adepto do suicídio em prestações. Eu quero vida vivida e morte morrida.