iminência do cagalhão
Eu sou a favor do aborto. Quer dizer, não quero que todo feto seja dechavado e retirado em pedaços da vagina. Mas entendo que assim deve ser feito se a dona da vagina quiser. Me parece imperativo respeitar os desejos da mãe e a sua posse do próprio corpo, sua autodeterminação e direitos individuais e não uma imagem romântica de uma pequena nesga de vida que não deseja e nem relacionamento objetal possui. Um bebe, antes de alguns bons meses de vida, não percebe a diferença entre o que faz parte do seu ser e o que é mundo exterior, sendo um feto portanto nada mais do que um apêndice com orgãos sensoriais. É vivo sim, mas os espermatozóides também são tecnicamente vivos e altos deles morrem a cada trepada ou a cada punheta. Também muito me irritam frases inteiramente escritas com letras k no lugar dos c. Nem o irc ou um nerdismo avançado justifica esse tipo de coisa, já que a letra c está presente em qualquer mapa de caracteres, diferente dos é ou dos ó. É muito engraçado que usem um suposta naturalidade de certas práticas para condenar outras originárias de minorias ou grupos de menos poderio. O próprio conceito de natural se refere a coisas não conspurcadas pela intervenção humana. Portanto para o homem não existe o natural. Qualquer coisa produzida por ele é artificial e muito ou pouco valoroso dependendo, é claro, do referencial adotado. É claro que mulheres podem alegar um mal estar dolorido ou uma recusa a um representar submisso para negar a prática da sodomia. Mas afirmar que tal prática é execrável e profana porque não segue as leis da natureza é o mesmo que dizer que beijar não é correto, já que a boca, a língua e a saliva são biologicamente destinados ao aparelho digestivo e fonador. Dizer que a presença do estado restringindo a liberdade e fomentando a exploração é natural porque só conheço o mundo desse jeito é cair na mesma armadilha, naturalizando coisas construídas socialmente e promovendo a estagnação. Vamos criar belos artificialismos para o nosso deleite pessoal. Eu não gosto muito de leite puro ou com nescau, mas um pouquinho no café vai que vai.


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