segunda-feira, novembro 24, 2003

Revolta de um Amigão

Recebi esse texto de um grande amigo meu da Faculdade, e fico feliz de cada dia perceber que tem gente que se preocupa com isso, leiam.

"Domingo dia 23/11/03, 7h da manhã, como dormi cedo depois de um sábado de muito surf (apesar do mar pequeno), resolvi dar uma corridinha. Tudo beleza, sol, o dia começando maravilhoso, poucas ondas, algumas pessoas caminhando, mas quando cheguei perto da Prainha já comecei a perceber que à noite foi bala. Copos plásticos, garrafas quebradas por todos os lados, alguns barbados dormindo dentro dos carros, torrando a cabeça (tonta de Akdov ou coisa pior) e o cenário parecendo mais um campo de batalha pós-batalha.
Imaginei uma família turista chegando na praia para pegar o sol mais ameno da manhã, com seus filhos doidos para brincar na areia, e já de cara cortar o pé num caco de garrafa de vodca barata. Ou ver um marmanjo, botando a cabeça pra fora do carro e largar um vomitão na calçada e ainda rir, se achando o bonitão. É muito triste tudo isso, principalmente em um ambiente que deveria ser o mais sadio possível. Onde estão as pessoas bonitas (por dentro e por fora), de bem com a vida, alegre, querendo aproveitar a praia, se bronzear, nadar, surfar, azarar na areia?

Na parte da manhã ainda é possível ter um pouco de paz, e de vez em quando avistar uma deusa, mas apareça após as 15, 16h e você vai ver a cena patética em que se transformou a Prainha. É uma competição de quem é mais ridículo. Não me entendam mal, não sou o modelão, ou o chato que não gosta de festa, de tomar cerveja e outros prazeres da vida, ou aquele que abomina classes inferiores (até pq a minha família é de origem humilde), mas a situação vai de mal a pior. É uma agressão aos olhos, ouvidos e estômago. Eu particularmente não acho nada agradável ver um monte de macho, se pagando de Jacaré do É o Tchan com suas Scheilas pançudas, enchendo a cara, com seus Pionners arregaçando ouvidos alheios, um do lado do outro naquela competição de quem mais pode ter mais decibéis e chamar a atenção.

Questiono-me, cadê o bom senso? Cadê a educação? Até quando teremos que aturar esse tipo de domingo? Qual será a melhor e mais sensata maneira de acabar com essa farra desordenada? Imagino que fazendo um calçadão mais largo, com half pipe, uma quadra de basquete (já tem uma moçada jogando perto do salva-vidas, pelo menos não tão enchendo a cara e dando showzinho!) um espaço para shows, espaço para artesões venderem suas artes, um local para a galera se exercitar com barras e tal, árvores e mais verde, fazendo que a passagem dos carros fique igual ao canto esquerdo da praia em apenas um sentido, sem local para estacionar e muita multa para a bugrada que insistir em “animar” com um “sonzinho maneiro” o domingão na praia.

Alguém tem alguma sugestão melhor, sem violência, mas para gerar um bem estar coletivo, algo que agregue coisas boas para todos? Estou aguardando...

Abraços e boas ondas,

Lucas Ariel Corrêa
Designer Gráfico, surfista sempre que dá e amante da Prainha