Carta de agradecimento de um cliente da VIVO
Natal!
Tempo de confraternização e agradecimentos!
Entre tantos que colaboraram para que 2003 fosse o fosso que foi,
lembro-me carinhosamente desta grande operadora de relógios digitais
chamada VIVO, da qual sou cliente!
Esta grande companhia de coração imensurável!
Tão humana que não valoriza o material, o equipamento, a tecnologia! Faz
questão de emudecer seus aparelhos, estimulando cada vez mais o contato
pessoal, as caminhadas, o consumo de combustível, enfim... a aproximação
entre os homens.
Quero agradecer neste momento as chamadas que a Vivo evitou que eu
atendesse. Essas pessoas inconvenientes que, em pleno dia da semana, me
procuravam para fechar negócios! Bem fez a Vivo em emitir radiosas
mensagens de que eu estava com o aparelho desligado. Eles que busquem
meus concorrentes! Viva o espírito, abaixo o vil metal.
Não posso me esquecer das mulheres. Ah, essas mulheres que nos
telefonam! Em busca do que? Do prazer pelo prazer, do sexo pelo sexo,
essas pecadoras! Agradeço ao meu calado Samsung, que me ajudou a passar
noites e noites meditando, lendo livros do Paulo Coelho e assistindo A
Noite é uma criança daquele gênio da comunicação chamado Otávio
Mesquita. As mulheres que distraiam outros, porque eu quero é cultura, é
vida, é lucidez!
A Vivo na constante preocupação com o humano, com o metafísico, com o
bem estar espiritual dos seus clientes ainda me proporcionou separar
os verdadeiros amigos daqueles falsos, superficiais. Os verdadeiros
companheiros não desistem após cinco ou seis tentativas! Continuam e
continuam e continuam tentando. Com isso, memorizam nosso número, pensam
em nós com carinho, exercitam a transmissão de pensamento.
E, no capítulo da caixa postal, uma atenção especial a esta grande
operadora de calculadoras eletrônicas: agradeço os momentos de ternura e
humor que passei resgatando recados guardados nos modernos e valvulados
equipamentos Vivo. Recados que recebi e ninguém me informou; mensagens
que me informaram e nunca recebi; convite para o churrasco de Domingo,
avisado na terça-feira; aviso de vencimento de conta do dia 20, recebido
no dia 30; o recado urgente da (ex) amante, que ficou esperando na
chuva; o filho que eu não peguei na escola; o pai que perdeu o avião; os
desaforos que ouvi sem saber o porquê. Finalmente, agradeço as
utilíssimas mensagens que recebi pontualmente às três ou quatro da
madrugada, avisando que eu ganhara sensacionais torpedos a serem
utilizados entre clientes Vivo até março de 2004. Quantos momentos
felizes. Quanta alegria! Quanto sentimento Vivo!
A esta gigantesca multinacional da agenda eletrônica, o meu muito
obrigado! Obrigado pela cultura que tive que adquirir, ao buscar
entender o que é sombra , pane temporária , manutenção preventiva ;
interrupção de serviços para melhoria de sua qualidade ... ora, não
sejam modestos... é impossível melhorar o que já é perfeito! O
silêncio é a virtude das virtudes! Viva a Vivo!
Penso, logo existo! Vivo, logo emudeço!
Não é só! As antenas da Vivo estimulam a busca pelos pontos de melhor
sinal. Quer telefonar? Pegue seu carro, vá até o telhado da Caixa D água
da Higienópolis ou ao 13º. andar do Tower Shopping. Dois pontos ótimos
para conversar das 4 às 7 da manhã, com janelas abertas. Marque um sarau
com seus amigos. Isso é gente, isso é Vivo!
Aos atendentes Vivo, meu muitíssimo obrigado! Obrigado por pedir o
número do livro de registro do meu nascimento no Cartório de Registro
Civil. Vocês têm razão: quem garante que eu sou eu? E se outra pessoa
quiser pagar a conta no meu lugar ou imaginem! Reclamar da
qualidade do meu intocável Samsung? (intocável porque nunca toca...)
Isso mesmo, amigos... saibam que, após ligar para vocês, passei a
duvidar da minha existência. Isso é filosofia! Isso é Vivo!!! E obrigado
por me fazer pensar na minha reclamação, insistindo que todos os
clientes da Vivo estão satisfeitos e só eu reclamo o tempo todo. Isso é
que é atendimento personalizado. Na verdade, o silêncio do meu Vivo é
como a dor: puramente psicológica!
Como sou proprietário de um aparelho chamado pré-pago, tenho alguns
agradecimentos adicionais. Reconheço: sou pré-pago. Sou praticamente um
marginal. Eu não presto. Sou o chato da pulga do piolho da ameba. Mereço
todo tipo de açoite, de castigo, de constrangimento. Agradeço a Vivo
enquanto levo as chibatadas. Sei que quando compro 30 reais de crédito,
vocês me dão 45. E, se no meio de uma ligação com um cliente, eu for
surpreendido com uma mensagem de que meus créditos terminaram, sei que a
Vivo faz isso pelo meu bem. Apesar de anunciar que eu ainda tenho cento
e três reais e oitenta centavos de crédito, eu deveria saber que são
créditos de ouro, que servem somente para eu conversar com outros gênios
proprietários de Vivo... ou seja, eu que arranje clientes entre a minha
comunidade!!! Quem mandou eu querer falar com um estranho? Ele que
busque os seus iguais. Eu sou mais Vivo!
O bonequinho da Vivo é aquele sem boca (não fala) e sem ouvido (não
ouve). Típica propaganda realista. Outra prova de respeito ao
consumidor: quando me tiraram da Sercomtel, prometeram que minha conta
iria diminuir. É verdade, eu pago menos, pois nada falo.
Os aparelhos Vivo têm agenda, calculadora, relógio e joguinhos. Eu ainda
quero um telefone? Isso é exigir demais!
Feliz Natal para todos! Escrevo porque sou Vivo! Não o fosse,
telefonaria!
Um abraço de um cliente satisfeito.
Chegou por e-mail.


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