sábado, janeiro 10, 2004

recalques de um desprovido

Lendo hoje o jornal, fui passar os olhos pelo caderno infantil, ler uns quadrinhos e ver que valores a cultura de massa oferece aos pequeninos. Assustei-me com a grande quantidade de menção a passeios no shopping. Em uma reportagem sobre diversão nas férias, com a cidade vazia e as opções diminuídas, é sugerido que passeios nos grandes centros comerciais, aproveitando que estão vazios e mais tranqüilos, são uma grande opção de lazer. A sugestão maldita é novamente repetida em uma entrevista com uma dessas estrelas mirins que fazem coisas engraçadinhas na novela. Pra mim, shopping centers sempre foram locais assépticos e sem graça. O cheiro de um shopping, em toda a sua extensão, é igual e exatamente o mesmo que em qualquer outro do mundo. Os estímulos visuais e auditivos - quase sempre anúncios publicitários ou famílias passeando - também se repetem independente do centro comercial em que estamos. Psicólogos comportamentais e administradores a serviço do marketing empresarial levantam estatísticamente quais os exatos tons de cores que agradam o maior número de pessoas, quais formas e qual a linguagem com melhor representação social entre o público alvo, pesquisam os estímulos que correm menos riscos de desagradar algum consumidor, oferecem todo o arsenal necessário para que o potencial comprador se identifique com algum dos estereótipos oferecidos pela comunicação de massa e seja feliz comprando um saco de amêndoas torradas. Na sociedade do consenso a homogeneização é precisa e barateia os custos.