segunda-feira, fevereiro 02, 2004

pé na cara

Queria ter as manhas para dar um soco na inércia e no comodismo nosso de cada dia. Longe de ser um surto histérico, seria uma bordoada nas fuças daquelas que não se sabe de onde veio nem quem desferiu o golpe. Desmoralizante como um tapa na cara e atordoante como um soco no nariz, chegando a extrair lágrimas contidas dos olhos do infeliz. Um tabefe daqueles que lembram que não passamos de sacos de bosta desfilando por aí exibindo adereços vazios e inúteis. Grandes e recheados sacos de merda se achando grande coisa com seus probleminhas pequenos e seus coraçõesinhos partidos. Justificando a própria existência com a idéia de que o universo se importa com quem só existe. Como não tenho essas perícias, ainda não apanhei o suficiente, sigo buscando minhas porradas diárias pra ver se toda essa merda escorre de meus dedos e pelos meus ouvidos para que suje o tapete e eu possa olhar a mancha marrom e me lembrar de que sai a merda, e fica o vazio.