Exagerado
"Exagero. É isso que nos tem faltado. O exagero da indignação ruidosa, o exagero da ação, o exagero pelas "causas perdidas". Sobra excesso de falsa bondade, da aparente normalidade nas salas de espera, de lealdade às coisas feitas em nome de uma comunidade de “ninguéns”.
Come-se em demasia, bebe-se até o afogamento, mas sem a intensidade do entorpecimento criativo. Sem exagero. Tudo se faz, nada se aproveita.
Há um Cazuza em cada um de nós. A diferença é que em alguns ele gosta de cantar o exagero de estar vivo, o exagero das possibilidades renovadas. Uma hora o Cazuza de alguém vai chegar até você e perguntar: “Você tem vergonha?”.
É o que mais temos tido. Pelo menos se fosse uma vergonha sincera, escancarada, que nos fizesse rachar a casca das aparências. Mas até para ter vergonha hoje é preciso coragem. E isso é outra coisa que não andam vendendo no Carrefour.
O tempo não pára, amor. Nossos heróis morreram de overdose. Nós morremos sem pôr nada na boca. Morremos por nada. Nossos inimigos estão no poder. Nós não estamos nem aqui, nem aí. Não podemos encher o peito e cantar as loucuras dessa vida. Para nós, é uma pena que a vida não seja louca e nem breve."
Fonte: oRuminante


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