CracKolândia
Nada como o centro histórico de nossa cidade. Largo da Ordem é um verdadeiro Circo, são várias atrações e cenas vistas apenas nessa bela região da cidade. Acho que até to exagerando no "apenas", mas digamos que boa parte das cenas engraçadas e bizarras da minha vida eu vi por lá. Ontem rolou um Rephinaria café, nosso show deixou a desejar, na minha visão, cometi erros que não estou acostumado a cometer, o som estava embolado, enfim, vamos recuperar a auto estima domingo. Bom, eu e o Cenora fomos descendo até a rua da Crackolândia, na rua do Gato Preto, hoje em dia com um upgrade no nome, Pantera Negra. Figuras mal encaradas, bêbados, travestis que parecem que colocaram silicone industrial em seus rostos pra ficarem com cara de maçã, mas que só obtiveram uma gelatina moldada no rosto, prostitutas fumando crack com olhares vagos e sem objetivos além de sexo por uma pedra, um verdadeiro submundo. Chegamos a um barzinho e pedimos uma dose dupla de conhaque, ao me deparar com a estufa de comida do lugar, reparei nas belas e convidativas lingüiças e ovos com casca. Espetinhos de Vina com lingüiça e ovo de codorna em conserva dentro de um pote com um líquido amarelo escroto. De repente um bêbado pede um ovo pro dono do bar, que simplesmente arremessa o ovo cozido pro cidadão que pega com uma cara de felicidade. Ao lado do Rephinaria, tem um motelzinho "daqueles", onde uma mulher beirando seus 45 anos que andava com uma mini-saia na altura de seu clitóris passeava noiadassa e com as pernas meio abertas, isso tudo ostentada por uma sandália de plataforma que permitia chegar aos 1,80m. Seu cabelo me lembrava as bandas posers dos anos 80, praticamente uma integrante do Alice Cooper. Sei que cada vez que eu via a moça, ela estava com uma saia diferente, nunca satisfeita com seu modelito atual. Tudo não passava de muita loucura, como as pessoas conseguem viver dessa maneira, me dava um aperto no coração as vezes, até quando eu resolvia comparar meu jeito de viver, aonde eu vivo, onde moro, o que eu faço... mas o que me aliviava esse aperto era lembrar da seleção natural das coisas, das oportunidades, mas mesmo assim não passou por completo. As vezes é muito bom você presenciar esse tipo de cena para dar valor a vida e ao que você tem e conquistou.
Sei também que mais uma vez o Milenar Chinês salvou nosso estômago e complicou minha manhã. Bom domingo tem mais...


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