Orgasmatron
Pro homem que é um fiasco na cama, tome cuidado para não ser substituído aos 15 minutos do primeiro tempo.
Depois de se falar muito sobre a invenção da pílula feminina do prazer, que até hoje não foi elaborada, a novidade agora é o Orgasmatron, um aparelho que provoca orgasmos femininos instantâneos e espontâneos. A idéia surgiu acidentalmente há mais de dois anos, quando o médico norte-americano Stuart Meloy fazia uma operação de rotina para aliviar as dores de uma mulher, quando, de repente, a paciente teve um orgasmo espontâneo.
O procedimento consistia na inserção de dois eletrodos na espinha e a estimulação com pequenos impulsos de eletricidade. Os pacientes ficavam conscientes durante toda a operação para poder dizer se a dor diminuía ou não. E qual não foi a surpresa de Meloy ao ver sua paciente tendo um orgasmo espontâneo? Parece até piada, mas foi aí que o médico resolveu desenvolver o método.
Ele descobriu que o aparelho funcionava tão bem com mulheres que sofriam de problemas sexuais crônicos que o patenteou como possível tratamento para a disfunção sexual feminina. "O orgasmo virou um símbolo da mulher moderna, da mulher que se cobra e quer se realizar em todas as áreas de sua vida", diz a psiquiatra e professora da USP (Universidade de São Paulo) Carmita Abdo.
Meloy recebeu agora a aprovação da FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de alimentos e remédios nos Estados Unidos, para testar o aparelho de US$ 13 mil e do tamanho de um marca-passo. No primeiro estágio do teste, fios conectados a uma bateria são inseridos na pele e na medula espinhal da mulher, um procedimento que Meloy diz não trazer mais riscos que uma anestesia peridural.
O aparelho ainda está em fase de teste e longe de ser comercializado. Até agora, apenas uma mulher completou o primeiro estágio de testes e outra está prestes a ingressar. Por incrível que pareça faltam voluntárias no consultório do Dr. Meloy.
Mas alguns terapeutas sexuais têm hostilizado o Orgasmatron. Eles alegam que a disfunção sexual feminina é normalmente causada por fatores psicológicos e indicam métodos "não-invasivos" como o vibrador, para atingir o tão desejado clímax. "A melhor opção ainda é trabalhar os bloqueios que dificultam a chegada ao orgasmo feminino. Se a mulher procura a ajuda de um especialista, talvez nem precise desse aparelho", ressalta a psiquiatra Carmita Abdo. Segundo ela, a invenção é positiva, sobretudo em alguns casos, quando a mulher tem uma doença que a impossibilite de ter um orgasmo, como um quadro avançado de diabetes, lesões vasculares muito graves, entre outras.
E por que atingir o orgasmo feminino é tão complicado? De acordo com a psiquiatra, os principais motivos são os problemas de saúde, dificuldades sexuais ou falta de habilidade do parceiro, dificuldade de comunicação entre o casal no sexo e, principalmente, a educação e os valores femininos na sociedade. "A mulher precisa rever seus valores. Ela passa da infância para um despertar da sexualidade de repente. Já os homens se preparam para isso desde a infância", afirma.
Fonte: Terra / AFP


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