quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Semana da Cannabis (Parte 2)

Bom essa idéia foi escrita por um dos integrantes de um site de música eletrônica e variedades.

Por que maconha é proibida? Porque faz mal. Mas então porque a lingüiça não é proibida? O fato é que diversos fatores raciais, econômicos, políticos, comerciais e morais motivam a guerra contra a maconha.

Não é fácil falar desse assunto, pois qualquer afirmação má colocada pode ser interpretada como apologia às drogas - e o autor pode até ser preso - como aconteceu com a banda Planet Hemp em pleno palco, quando foram acusados desse crime. Ou até mesmo a apresentadora Sônia Francine (a Soninha), que foi demitida por ter saído na capa de uma revista dizendo que já fumou maconha.

A polêmica sobre a droga tem a ver com o preconceito contra mexicanos, negros, chineses e árabes, usuários mais freqüentes no começo do século XX. Tem a ver com os interesses de indústrias poderosas dos anos 20, que vendiam tecidos sintéticos e papel e queria se livrar de um concorrente, o cânhamo, e fizeram toda uma campanha contra o uso da erva. Tem a ver também com o moralismo judaico-cristão/ protestante-puritano contra o pecado da luxúria, não aceitando a idéia de prazer sem um fim que o justifique.

A cannabis é a droga ilícita mais consumida pelos brasileiros e pelo mundo. De acordo com um cálculo aproximado, quase 700 toneladas de maconha são consumidas todos os anos no país. É quantidade suficiente para a confecção de 700 milhões de cigarros e para deixar satisfeitos algo como 5 milhões de usuários - um sétimo do número de fumantes de tabaco. No ranking do consumo das drogas, ela vem quilômetros à frente de crack, cocaína, heroína ou ecstasy. Algumas estimativas extra-oficiais informam que até 50% dos jovens brasileiros já experimentaram um beck - um de seus nomes populares - pelo menos uma vez na vida.

A Lei Seca foi um dos fatores responsáveis pela explosão do consumo da maconha. Conforme foi ficando mais difícil obter bebidas alcoólicas e foram ficando mais caras e com pior qualidade, as pessoas "descobriram" a cannabis e suas variações mais fortes.

Alguns países europeus têm uma tolerância razoável com as pessoas que fumam um. Na Alemanha, na Itália e na Espanha, enquadram o usuário é como um caso de saúde pública e não de polícia. Nesses países, o consumo da maconha continua sendo um ilícito penal, mas a tolerância social a esse hábito tem crescido. Entre os europeus, dois países foram mais longe no caminho da liberalização. Em Portugal, foi aprovada uma lei que descrimina o uso de drogas. Os consumidores pegos em flagrante não serão mais presos. Agora, quando alguém for apanhado fumando um baseado, será encaminhado para tratamento médico. No máximo, será obrigado a pagar multa, que pode variar de 40 a 250 reais.

Mas o sonho de todo maconheiro é ir para a Holanda. Lá, os usuários podem carregar até 5 gramas de maconha sem ser perturbados pelas autoridades. Há centenas de bares com cardápios mostrando inúmeras variações da erva. Elas são consumidas sem a menor cerimônia pelos fregueses. Basta entrar no bar, escolher a procedência da maconha preferida e pedir ao garçom. Tem do Paquistão, da Colômbia, do Marrocos e de outros. No cardápio, como de um restaurante comum, existem avisos sobre qual é a droga mais forte.

Já no Brasil, consumir drogas é crime, com exceção do álcool, do cigarro e remédios como anfetamina. Os usuários infratores estão sujeitos a uma pena que varia entre seis meses e dois anos e que está prevista no artigo 16 do Código Penal. Porém se a pessoa estiver portando mais de 10 gramas - mais que um baseado - se enquadra no artigo 12, acusado de tráfico.


Fonte: Trance Space