estrelinha que brota do caos
Como o mundo seria bom se as pessoas tivessem mais auto crítica, seríamos obrigados a consumir bem menos lixo. Se cada cidadão, antes de contar a todo mundo sua mais nova descoberta, sua invenção genial, sua obra artística cultural mais recente, sentasse um pouco, levasse as mãos ao queixo e pensasse consigo: "é minha criação realmente relevante ? estou dizendo algo que já não foi dito por uma centena de pessoas antes de mim ? tenho algo a acrescentar a cultura e ao legado humano para as próximas gerações ?" Uma resposta negativa seria frustante, mas certamente preveniria de uma frustação muito maior ao se descobrir que não se é um gênio nem se vai ser uma pessoa de sucesso. E protegeria o resto da humanidade de ter que engolir o óbvio, o medíocre, de se irritar com a vida.
O maior choque da adolescência não é a descoberta da vida sexual, não são as espinhas, não é descobrir que "meus pais são um saco". O maior choque, ao sair de uma esfera de socialização reduzida e relativamente controlada, a família, para uma esfera maior, com as diferenças entre as pessoas acentuada e sem um controle paternal, é perceber que, ao contrário do que mamãe disse, eu não sou especial. Não vou ser um gênio, nem obter grandes conquistas, tãopouco mudar o mundo. Alguns respondem a esta constatação botando a culpa num terceiro: no sistema, na família, no papai, na minha doença degenerativa congênita. Aí sobra rebeldia pra mudar o mundo, pra dizer que ta tudo errado, que não devia ser assim, que devia ser do meu jeito. Os mais sensatos logo se dão conta de que mesmo não sendo especiais nem extraordinários, têm um papel ativo no mundo, existem milhares de possibilidades e cabe ao esforço de cada um mudar o que precisa de mudança, legitimar o que deve ser legitimado e aproveitar o que está para ser aproveitado. Sem se considerar o dono da verdade, nem o último biscoito do pacote. Uma criança aprendendo com o mundo, ensinando ao mundo, trocando experiências, palavras, sentimentos, fluídos.
Neste belo sábado de sol, aproveitem a vida. Aprendam com ela e cultivem, como a uma flor rara, um pouquinho de auto crítica e discernimento dentro do coração. Cantemos juntos uma canção, tomemos juntos uma cerveja, participemos juntos de uma suruba. Não busquemos a felicidade porque ela é a estagnação. Busquemos, antes, um desbravar de experiências, um ampliar de possibilidades, um riso, um choro. Paz na terra para os homens de boa vontade.
O maior choque da adolescência não é a descoberta da vida sexual, não são as espinhas, não é descobrir que "meus pais são um saco". O maior choque, ao sair de uma esfera de socialização reduzida e relativamente controlada, a família, para uma esfera maior, com as diferenças entre as pessoas acentuada e sem um controle paternal, é perceber que, ao contrário do que mamãe disse, eu não sou especial. Não vou ser um gênio, nem obter grandes conquistas, tãopouco mudar o mundo. Alguns respondem a esta constatação botando a culpa num terceiro: no sistema, na família, no papai, na minha doença degenerativa congênita. Aí sobra rebeldia pra mudar o mundo, pra dizer que ta tudo errado, que não devia ser assim, que devia ser do meu jeito. Os mais sensatos logo se dão conta de que mesmo não sendo especiais nem extraordinários, têm um papel ativo no mundo, existem milhares de possibilidades e cabe ao esforço de cada um mudar o que precisa de mudança, legitimar o que deve ser legitimado e aproveitar o que está para ser aproveitado. Sem se considerar o dono da verdade, nem o último biscoito do pacote. Uma criança aprendendo com o mundo, ensinando ao mundo, trocando experiências, palavras, sentimentos, fluídos.
Neste belo sábado de sol, aproveitem a vida. Aprendam com ela e cultivem, como a uma flor rara, um pouquinho de auto crítica e discernimento dentro do coração. Cantemos juntos uma canção, tomemos juntos uma cerveja, participemos juntos de uma suruba. Não busquemos a felicidade porque ela é a estagnação. Busquemos, antes, um desbravar de experiências, um ampliar de possibilidades, um riso, um choro. Paz na terra para os homens de boa vontade.


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