segunda-feira, janeiro 12, 2004

do porco assado enquanto expressão da infinita bondade divina

Meio dia e aindo arroto recordações do costelão do gaúcho que encaramos, eu, pança, ceris e vini, ontem a noite, depois que os rapazes do phobya voltaram da rádio. Os largos e suculentos pedaços de bichos mortos e assados sob brasa quente ainda gritam lamentos e lamúrias por minha gula maconheira. Nem mesmo um café eu tomei e a cafeína, meu único vício, é minha companheira fiel e matutina, sempre dando aquela ESTRICNADA ESPERTA na sonolência da manhã.
Mas, voltando à noite de ontem, nas costelas bovinas o restaurante até que foi generoso, oferecendo grande abundância de carnes e apresentando considerável qualidade. Temperadas apenas com sal grosso e mantidas por horas acima do calor do carvão, ofereciam alguma resistência à mordida mas na graduação ideal, sem oferecer riscos ao portator de dentaduras, por exemplo.
Ja o leitão, em que depositei todas as expectativas do grande apreciador de suínos que sou, ficou aquém do esperado. Além de ter sido servido em porções miseráveis, alguns nacos não estavam devidamente assados, o que provocava calafrios em quem passou um bimestre inteiro estudando o ciclo do cisticerco nas aulas de biologia do primeiro grau, e o tempero não havia sido corretamente absorvido pelas carnes, refletindo numa vergonhosa falta de sabor.
Ainda que proprietário anuncie seus serviços como 24h, fica claro para nós, entendidos na arte do vorazmente comer, que à uma hora de domingo, com o restaurante totalmente vazio, o banquete oferecido, apesar de farto, abundante e despudorado, não exibe a mesma dedicação e amor que transpareceu em outras ocasiões, pelo menos no que se refere aos animais chafurdantes.