faz-me-rir
Com as pontas dos dedos esfrego o torrão verde na palma da mão, desconstruíndo a trama de fibras e liberando todo o pontencial aromático entre as pontas amarelas dos dedos. Com as unhas do polegar e do indicador desmancho um e outro pedaço maior, transformando tudo num tapete canábico. Os odores delicados desprendem-se dos agora minúsculos pedacinhos de flores e folhas. Bastante úmido ou "resinado" como comumente se diz, a visão herbácea traz uma previsão dos efeitos que virão. Harmoniosamente aconchegados num berço esplêndido de papel de seda - colomy, porque exijo um mínimo de qualidade e não encaro uma Trevisan mas não ostento a ponto de pagar 2,50 numa pure hemp - um cilindro verde começa a se formar. Um esfregaço na ponta dos dedos entre os lados da folha de papel, um cartão telefônico para ajudar pois minhas habilidades motoras finas não são muito desenvolvidas, e ta fechado o cigarrinho do capeta. Uma palitada em cada lado à guisa de pilão e uma amassadinha pra erva não fugir. Exibo orgulhoso o acepipe entre os dedos pois o dia foi longo, são 22h, e eu mereço esse prazer.


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